25 de agosto de 2013

Chohreh Feyzdjou



Chohreh Feyzdjou, estrutura de ferro com rolos de pinturas e desenhos, 1989 - 1993.
Nos últimos anos de sua produção, Chohreh Feyzdjou (Teheran, 1955 – Paris, 1996) elegeu o gesto de velamento como estrutural em seu trabalho, envolvendo tudo o que havia feito até então com um pigmento negro, transformando desenhos, pinturas e objetos em uma espécie de matéria bruta, orgânica, arcaica e futura ao mesmo tempo (pois carregada de latência e devir).
A espacialidade criada pelo seu trabalho sugere mercados, feiras, lugares saturados (como as ruelas da cidade velha de Jerusalém, por exemplo). Mas parece que chegamos tarde demais. As mercadorias pereceram. O pó que as recobria sedimentou, salvando-as, assim, pela força do esquecimento. Talvez aguardem, em estado de latência, reativações de sua matéria bruta, que fala dos atritos entre Oriente e Ocidente, essas duas instâncias, mais culturais do que geográficas, que não param de reinventar-se.
Interesso-me menos por sua ironia em chamar o conjunto de sua produção de “Product of Chohreh Feyzdjou” (como a artista decidiu no início dos anos 1990). O que me parece fascinante é a virada que marca sua decisão de assumir a entropia e o acúmulo, e deixar apenas sombras como lembranças das formas que orientaram seu trabalho nos primeiros anos.
Vejamos que em 1983, Chohreh vendeu o apartamento em que vivia em Paris para financiar uma gráfica e editar um livro, não sobre seu próprio trabalho, mas sobre a mística persa, escrito por um guia espiritual sufi que havia conhecido. Em 1992, cerca de 400 exemplares que restavam do livro foram recobertos com sua matéria negra preferida, enrolados, amarrados com pedaços de tecido e integrados à grande série “Products of C. F.” Talvez seja possível pensar que cada uma de suas séries contenham a determinação e o vigor dessa decisão. (L.D.)









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